Essa será uma
narrativa através de imagens para ilustrar um pouco do meu trabalho
nesses 10 primeiros anos no ofício da arquitetura. Um período curto para uma carreira em que um profissional é classificado como jovem
até os 40 anos. Há ainda um bom trecho a ser percorrido para que eu então
chegue nesse ponto.
Minha forma de trabalhar procura potencializar
nos espaços que crio, as personalidades, identidades e singularidades de meus
clientes, através do meu olhar. E isso tem se dado em apartamentos e lojas_
todos desenvolvidos em uma escala de ateliê, uma fórmula que me permite
conceber e acompanhar tudo de perto.
Manoela em obras faz menção também ao momento de
transformação que atravesso. As mudanças vêm suaves e constantes, e então pode
acontecer de não nos reconhecermos mais ali onde estamos. E é preciso mudar
tudo. Acredito que da precariedade das coisas que nascem, na transitoriedade da
vida, construímos nossas maiores verdades. Obras são mesmo lugares pulsantes.
Após inúmeras idas a São Paulo recentemente, decidi
que vou estabelecer, em breve, minha base de trabalho por lá. Para estar mais
perto da intensidade da vida, numa cidade em que o campo das artes e do
trabalho pulsa muito fortemente. E como vou sentir falta de tantas pessoas e
das maravilhas daqui, será inevitável ir e voltar muito, me transformar numa
mistura desses dois lugares, atender às pessoas dos dois lugares, ter talvez um
sotaque híbrido.
A Grampo, minha forma de operar, através do
exercício de curadoria, relações intrínsecas da arquitetura com outras
disciplinas artísticas, vai comigo, em obras, para depois se estabelecer de uma
forma nova, pertinente a sua nova realidade. Mais uma vez em sintonia com sua
essência de criar e de grampear, no sentido de reunir, o que causa meu olhar.
Função em Justa Beleza virou mantra na Grampo nos últimos tempos_esteve em cartaz no período de 19/12 a 9/3_ e agora entra pra nossa história. Essa nota traz alguns dos principais momentos dessa narrativa que reuniu os mobiliários de Ivar Siewers, um dos grandes do design brasileiro, e arquiteturas de quatro colegas também fabulosos_ Carla Juaçaba, Carlos Alberto Maciel, Juliana Barros e Marcos Acayaba. Abaixo: imagens do processo de produção de algumas peças de Ivar; da exposição propriamente dita sobre o tablado; do dia da abertura; do processo de concepção inicial da Casa Função em Justa Beleza que propus como exercício paralelo à mostra. Pra que tudo faça mais sentido, recomendo a leitura do texto de abertura da exposição ( basta clicar aqui ) e também das "notas da curadoria"_ pequenas reflexões em livretos ( handmade! ) que estiveram ao lado dos objetos expostos.
Um pouco do processo de produção das peças de Ivar Siewers
Fotos : Manoela Beneti
Pintura eletrostática da cadeira Isa. Design de Ivar Siewers
"Cadeira Isa Notas da curadoria:
Mais recente projeto de Ivar. Uma cadeira básica, pra toda hora, com uma cartela de cores alegre. Notem o misterioso sorriso de Isa.
As fendas nas chapas de assento e do encosto permitem a maleabilidade
do material para a adequada ergonomia. Economia de material e mais leveza
estética são ainda ganhos secundários obtidos por causa dessas fendas." ( MB )
Cadeiras Isa na Fábrica de Ivar
Fotos na Fábrica: Julie Arantes
Polimento da Mesa Kaeko na Fábrica. Design de Rafic Farah
Os meninos de ouro da Fábrica seguem a "receita de bolo" para se fazer a clássica Cadeira Butterfly_ícone do design que é produzido na Fábrica também.
Uma pata da Mesa Tarsila na Fábrica. Design de Ivar Siewers
A montagem da exposição pronta na Grampo
Fotos da montagem : Julie Arantes
O Banco Bola de Ivar
"Protótipo Banco Bola
Notas da curadoria:
A partir de um elemento simples_ uma esfera metálica
encontrada em linha comercial_ Ivar procede com perfurações anguladas e
rosqueadas para receber hastes em aço inox. Esta nova peça, conectora de apoios, se desdobra em bases para banco, mesa de jantar e mesa lateral. No caso deste protótipo
de banco, aqui exposto, o assento é feito em madeira laminada colada, em versão
crua, mas a peça acabada recebe ainda camada de verniz fosco incolor." ( MB )
Trecho inicial da montagem
(poltrona Minas à direita)
"Poltrona Minas
Notas da curadoria:
Não há parafusos na peça, apenas o encaixe por pressão do assento-encosto à estrutura. Ivar utiliza o compensado mais barato, do tipo "fundo de armário", procedendo com cortes em fatias, depois coladas topo a topo, que compõem uma peça inteiriça de assento-encosto. Dessa maneira tira o melhor partido de um
material barato e eficiente, revelando a beleza das tonalidades variadas de
madeira que usualmente ficariam escondidas.
A estrutura em aço inox tem lógica estrutural semelhante à
da mesa Stella, onde o aço mais leve possível é dobrado de forma que a
geometria da peça proporcione a máxima rigidez." ( MB )
A Poltrona Oh! assinada por Ivar
"Poltrona Oh!
Notas da curadoria:
Os aros concêntricos se propagam, fixos à base, abrindo o “ Oh!” que dá
título à peça.
Um preciso estudo das angulações, que tem por finalidade
determinar a ideal inclinação para o corpo recostado, mostra o cuidado no
processo de desenho para favorecer a ergonomia.
As fixações do encosto e assento, vistas por trás e abaixo,
são dignas de nota, fruto da simplicidade e objetividade do desenho.
As curvaturas das madeiras tipo compensado, do assento e do encosto,
são idênticas e o processo de execução das mesmas é elementar. Para tanto utiliza-se uma prensa de marcenaria do tipo mais simples, o que reflete em diminuição do custo final da peça." ( MB )
O Tríptico Bamboletras. Design do tipoeta Daniel Mansur e de Ivar Siewers
" Tríptico Bamboletras:
Notas da curadoria:
Mais uma peça cujas referências remetem mais diretamente ao
Modernismo, está pelo mesmo motivo disposta sobre o tecido. Trata-se de um
tríptico assinado pelo poeta visual, também conhecido como tipoeta ( apelidado assim por Haroldo de Campos ), Guilherme Mansur. Nele vemos a tipografia “Bamboletras”_uma fusão da fonte Futura à imagem de bambolês.
A peça é uma poesia visual, podendo ser fixada na parede ou utilizada
como descanso de travessas.
Produzida na Fábrica
de Ivar, é um objeto pensado para fabricação seriada e em maior escala. Seu processo de produção obtém máximo aproveitamento da uma chapa de ferro, a partir do recorte de quadrados de 14x14cm." ( MB )
A mesa de centro Tarsila em primeiro plano
"Mesa Tarsila:
Notas da curadoria:
Uma chapa de mdf
é recortada produzindo faces que, quando coladas, compõem os pés desta mesa.
A cada chapa inteira de mdf, Ivar consegue retirar os componentes necessários para a execução de 3 mesas completas, com o mínimo de desperdício de material.
Esta peça foi desenvolvida num arroubo, em protesto ao
comentário de um grande fabricante de móveis.
Tendo ele promovido um concurso de desenho de mobiliários, apresentou
aos brasileiros finalistas, entre eles Ivar, uma banca de examinadores explicando que o Brasil precisava aprender sobre design com os italianos que
estavam presentes.
Ivar criou um móvel cheio de patas, que remetem ao Abaporu de Tarsila do Amaral, fazendo menção ao conceito do Movimento Antropofágico _ que enfatizava a identidade cultural brasileira.
Esta peça possui grande importância simbólica na exposição.
Está disposta sobre o tecido como forma de diferenciação em relação às outras,
por remeter diretamente ao ideário Modernista. Todos os trabalhos aqui
expostos, entre mobiliários e arquiteturas, refletem uma produção contemporânea,
mas possuem um mínimo denominador comum Modernista." ( MB )
Criador e criatura. Mesa Stella_ peça vencedora do Prêmio Divulgação do Museu da Casa Brasileira, de 2006
"Mesa Stella
Notas da curadoria:
Extremasofisticação resultante da racionalidade no uso
do material e da solução estrutural inventiva. Utilizando o mínimo necessário
de material e obtendo a máxima rigidez estrutural através da geometria do desenho,
Ivar obteve uma peça levíssima e de custo muito acessível ao consumidor final.
Pode ser utilizada também
em conjuntos de 2, 4 ou mais peças, com um tampo quadrado ou redondo apoiado." ( MB )
Maquete do "Estúdios Capelinha", projeto do arquiteto mineiro Carlos Alberto Maciel
A Casa Mínima, assinada pela carioca Carla Juaçaba
Fotos da Casa Mínima: Carla juaçaba
A Casa Mínima e sua vista da cama
As Casas do Alto da Boa Vista, do paulista Marcos Acayaba
Foto de Jorge Hirata
Vista interna de uma das casas, localizadas no Morumbi, em São Paulo
Foto de Jorge Hirata
Estúdios Capelinha, em Belo Horizonte
Foto de Leonardo Finotti
Vista interna de um dos estúdios
Foto de Leonardo Finotti
Projeto para Reconversão de Edifício para Habitação de Interesse Social, da mineira Juliana Barros
Maquete eletrônica: Juliana Barros
Uma imagem interna do prédio localizado no centro de Belo Horizonte, caso ocorra a reforma
Maquete eletrônica: Juliana Barros
Visitantes na exposição
Fotos da abertura da exposição: Anna Victoria Urbieta
Brincadeira no tablado!
Abertura que aconteceu em 20/12/12 Nesta foto é possível ver dependuradas as estruturas da Poltrona FDC, de Flávio de Carvalho, da Poltrona Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha e da Mesa Kaeko, de Rafic Farah.
Livreto ( handmade ) e estrutura da Poltrona FDC, de Flávio de Carvalho, pendurada
Levantamento topográfico do terreno em Brumadinho-MG, para a Casa Função em Justa Beleza
Detalhe da vegetação do lugar, que é de transição entre cerrado e mata Atlântica
Fotos e croquis: Manoela Beneti
Material para croquis
Aquarela croqui para concepção inicial da Casa FJB
- A casa suspensa convida para a travessia até o rio.
croqui em aquarela por mim
- Uma árvore é o ponto de referência para implantação da casa no terreno e o ponto de origem da malha estrutural. A casa, suspensa do solo, convida para que se passe por debaixo dela, seguindo em uma a travessia até o rio.
croqui em aquarela
Mais croquis
Ficha técnica:
Curadoria, cenografia, expografia e textos: Manoela Beneti
Fotos da exposição: Anna Victoria Urbieta, Julie Arantes e Manoela Beneti
Arquiteturas na exposição: Carla Juaçaba, Carlos Alberto Maciel, Juliana Barros e Marcos Acayaba
Croquis/ Concepção para Casa FJB: Manoela Beneti
Mobiliários: Ivar Siewers
Tríptico Bamboletras: Guilherme mansur e Ivar Siewers
Estruturas de móveis: poltrona FDC, de Flávio de Carvalho; poltrona Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha; mesa Kaeko, de Rafic Farah
Livros e revistas que também fizeram parte da exposição:
Conceber essa exposição me permitiu formular um antídoto particular para um mundo em que explodem construções blockbusters _ desde de Trump Towers a tantos outros de lógicas afins, de igual ou menor escala. E ainda que o tom escolhido para o texto de abertura seja doce, é meu manifesto (um amigo classificou dessa forma e adorei. O que eu queria era mesmo me manifestar).
" FUNÇÃO EM JUSTA BELEZA
Mobiliários de Ivar Siewers + Arquiteturas de Carla Juaçaba, Carlos
Alberto Maciel, Juliana Barros e Marcos Acayaba
Sejam
novamente bem-vindosà Grampo! Vamos brindar
mais uma oportunidade de celebrar a vida neste
espaço.
Essa nova
narrativa me permite tratar de uma questão presente no cotidiano de todos nós. Se
a realidade construída à nossa volta, em linhas gerais, é tão equivocada, quais
seriam os princípios essenciais para se produzir um móvel, uma casa ou cidade
melhores e, ao mesmo tempo, acessíveis ao máximo de pessoas? O que faz do
desenho, enquanto ferramenta para executar projetos e objetos, uma ferramenta
para melhorar a vida? Na tentativa de síntese do assunto, que é complexo,
proponho uma fórmula para Função em Justa
Beleza, com duas variáveis, aparentemente antagônicas, pelas quais quem
desenha inevitavelmente passa e se equilibra.
De um lado,
os recursos disponíveis (técnicos, financeiros, logísticos), e, de outro, as
demandas das pessoas – desde aquelas envolvidas na produção até os usuários.
Penso que, quanto mais longe se vai nessas variáveis, mais a vida pode
melhorar.
Para
ilustrar o conceito sugerido, selecionei objetos e projetos que sintetizam tudo
isso silenciosamente, poeticamente. Os trabalhos e seus autores são incríveis,
e quem afirma são instituições como o Museu da Casa Brasileira, Bienais e
premiações de arquitetura, círculos acadêmicos, publicações de peso e felizes
proprietários destes mobiliários e arquiteturas.
Para cada
um deles apresento motivos emblemáticos que justificam minhas escolhas. Ivar
Siewers, com sua formação humana fantástica, de uma sensibilidade rara, e seus
mobiliários. Ele pensa em sociedade, busca obsessivamente design acessível ao
máximo de pessoas. Sempre às voltas com suas planilhas, com os custos do aço,
sobre como tornar uma peça mais leve e mais rígida ao mesmo tempo, ou como
desenvolver uma máquina capaz de executar uma peça até então inexequível. E seu
senso estético espantoso, sofisticado, permanece ali ao fundo, impávido,
enquanto comanda a produção de suas peças premiadas e de alguns mobiliários brasileiros
antológicos. Que mistura incrível é ele, um filho de pai norueguês e mãe
brasileira, paulista radicado em Minas; geleira e brasilidade.
Sobre os
arquitetos, todos adotam nos projetos aqui expostos materiais e técnicas
construtivas amplamente utilizadas no país, acessíveis e simples. A arquiteta
carioca Carla Juaçaba, de trabalho tão radical e tão delicado, aqui representada
com sua Casa Mínima, de 24m², de planta em cruz que tem referência histórica nas
igrejas góticas. Ao escolher o tijolo maciço como material principal do
projeto, explica que “era o que cabia na mão do operário que precisava seguir
montanha acima para construir”. Exemplar decisão “Função em Justa Beleza” que
equaciona a técnica construtiva possível para aquela situação específica,
naquele universo de restrições e demandas. Sua escolha, então, é elaborada, e
ela determina que o tijolo seja empilhado, tendo resultado em um bordado de tijolinhos
que dá vontade de tocar. E a casa, propriamente dita, parece um deleite para
quem habita; O arquiteto super-herói, Carlos Alberto Maciel, apelidado de Robin, por ser reconhecido como prodígio,
empreendeu o edifício de apartamentos duplex e triplex, Estúdios Capelinha.
Supercompactos, talvez um dos lugares mais legais para se morar em Belo
Horizonte, apresenta, também, austeridade na escolha dos materiais. Causa
surpresa em seu espaço interno, destaca-se no entorno com a bela geometria das
faces externas. A racionalização constante dos recursos e materiais permitiu ao
arquiteto competir, de maneira comercial, no mesmo mercado imobiliário que
vende 99,9% de apartamentos-caixinha. Sorte daqueles que acharam essa joia como
opção;
Quanto ao
Conjunto de Residências no Alto da Boa Vista (no Morumbi, São Paulo), composto de
casas geminadas, foi projetado e empreendido pelo fantástico Marcos Acayaba, famoso
pela virtuosidade no uso da madeira em suas arquiteturas. Esbanja inteligência
e elegância também nessas construções em blocos de concreto aparente, modulados
centímetro a centímetro para evitar ao máximo o corte de blocos. O material foi
projetado para ficar exposto, com total dignidade, sem pintura, num resultado
de proporções impressionantes, de uma harmonia rara. Acayaba conseguiu ainda a
proeza de, praticamente, eliminar o uso de fôrmas através da racionalização da
técnica construtiva, o que se reverteu em custo muito, muito reduzido por metro
quadrado construído; Por fim, a proposta fantástica de Juliana Barros – a moça
é ‘mega’ na matemática, na
competência, e entende ainda da complexa acústica e seus cálculos – outra alma em
que a ciência exata habita. Propõe a reconversão de um edifício decadente e
subutilizado no centro de BH para reforma em inúmeros apartamentos pequenos e
fantásticos – uma verdadeira ginástica nas plantinhas! Para moradia de
interesse social. Como seria bacana ver o centro da cidade vivo também fora dos
horários comerciais, saber que as pessoas gastam pouquíssimo tempo até o trabalho;
que tem menos ônibus e carros obstruindo as ruas; que estamos utilizando todos
os centímetros possíveis nessas regiões privilegiadas das cidades. Os extratos
sociais mais variados morando perto uns dos outros – isso é muito justa beleza
também. Aproveitar prédios velhinhos, então, nem se fala – torço pra que o retrofit chegue pra valer.
Para
concluir esta mostra, um projeto meu será desenvolvido dentro da lógica “Função
em justa beleza” e seu processo mostrado até sua conclusão, durante o período
em que a exposição estiver em cartaz.
E, pra que
exemplos de Função em Justa Beleza
aconteçam cada vez mais, precisamos de mais construtores esclarecidos, que entendam
que arquitetura boa é investimento certeiro. Mais arquitetos empreendedores
também e mais editoras de design – como é o caso da europeia Objekt que detém
os direitos de produção de alguns dos mobiliários que saem da Fábrica de Ivar. Mais
industriais como Ivar, que se dispõe, quando é preciso, até mesmo a criar
máquinas especialmente para produzir melhores exemplares de design – com maior
eficiência na produção e excelência no acabamento. E, talvez, o principal, mais
e mais pessoas tocadas pela Função em Justa
Beleza, que demandem isso do mercado, que tenham consciência cada vez maior
dela.
Concluindo,
se vivemos na era da sociedade do espetáculo, e, se pensarmos que espetáculos duram
pouco, que a vida continua depois desses momentos de exceção, entendemos que a Função em Justa Beleza pode ser pra toda
hora, pode tecer nossas cidades. Ela é simples e linda. Serve às pessoas, gosta
delas. Nunca vai estar num museu de grandes novidades. Não confunde o caro com
o bom; ou o pesado, grandioso, com o valioso. Tem uma estética que reflete uma
boa ética porque é pertinente ao local e às pessoas a que se destina. É talvez
a que mais se aproxima da tríade: “O que é belo, é também justo e verdadeiro”.
Quis exaltá-la nessa exposição porque é discreta, precisa ser discutida e
entendida. E encarna o “onde nada sobra, onde nada falta”, o ideal de beleza
nas palavras do mestre Acayaba. De tão bela, chega a ser de injusta beleza.
Chegando a hora de dar vida à mais uma narrativa, segue convite pra nosso brinde de abertura. Venha celebrar conosco " Função em Justa Beleza: Ivar Siewers + arquiteturas". O arquiteto e industrial Ivar Siewers* prima pela racionalidade no uso dos materiais ao desenvolver mobiliários, resultados da articulação de demandas que podem ser definidas como arquitetônicas_ técnica/ função / forma. Além de assinar e produzir suas próprias peças, Ivar é o fabricante autorizado de móveis brasileiros antológicos como a poltrona Paulistano de Paulo Mendes da Rocha, a poltrona FDC de Flávio de Carvalho, a mesa Kaeko de Rafic Farah.
(* Premiado 3 vezes pelo Museu da Casa Brasileira, entre outras importantes premiações ) Esse exercício de curadoria propõe um diálogo entre o trabalho de Ivar e arquiteturas residenciais de extrema qualidade, produtos autênticos da racionalidade no uso de recursos em contextos diversos. A seleção de projetos conta com nomes como o da carioca Carla Juaçaba, os mineiros Carlos Alberto Maciel e Juliana Barros e o paulista Marcos Acayaba. A partir de janeiro até final de fevereiro, período de exibição da exposição, a Grampo desenvolverá um projeto de arquitetura relacionado ao tema, cujo processo será mostrado no Facebook e depois resumido aqui no blog. Nos vemos aqui dia 19!
O mundo amanheceu menor ontem, fica aqui nossa despedida ao gênio Oscar Niemeyer. Todo nosso amor e gratidão à ele. Jamais me esquecerei das três vezes em que tive oportunidade de vê-lo falando ao vivo, já bem velhinho, repetindo sempre que o mais importante não é arquitetura, mas sim a vida, os amigos e esse mundo injusto que precisamos mudar.
"Adeus, Oscar!" é o título desta composição que o poeta visual Guilherme Mansur enviou carinhosamente pra cá ontem. A Grampo, segundo nos contou alguns dias atrás, o inspirou a criar a tipografia batizada "tipogrampo". Ela acabou sendo base para este trabalho. Incrível, Guilherme! Muito obrigada.
A cada final de exposição procuro registrar uma panorâmica do que aconteceu na Grampo. Este post é uma tentativa de transportar o conteúdo exposto entre os dias 1/08 a 1/09 ( veja aqui o vídeo convite, lindo, por Brutal Produções ). Essa história começou quando Leopoldo Gurgel, ainda estudante de moda, esteve aqui, no final do ano passado, visitando a exposição "O Vazio Necessário". Ao se despedir, disse que apresentaria uma coleção de roupas baseada na obra de Le Corbusier para sua formatura na faculdade de moda. Alguns meses depois recebi um telefonema dele, e pra minha grata surpresa, me convidava a participar da banca examinadora de seu desfile. Expliquei que estava muito honrada com o convite, mas que tendo uma viagem marcada, não poderia. Mais um tempo se passou e ele retornou com um material de divulgação ( um catálogo lindo, em papel de jornal + vídeo incrível) de cair o queixo, que estava entregando pessoalmente para algumas pessoas. Talento e competência saltavam aos olhos, não tive dúvida de como seria bacana mostrar aquela coleção e contar uma história onde poderia relacionar as disciplinas de moda e arquitetura...Convite feito, convite aceito, teve início "Costura Concreta" que envolveu também outras pessoas com trabalhos fantásticos_vide a ficha técnica de ouro no final deste post. Gostaria de lembrar que a Grampo, em sua face galeria, é um espaço aberto para a cidade, ainda que dentro do meu escritório de arquitetura. Para os trabalhos incríveis que vejo por aí e, principalmente, para as pessoas que quiserem chegar, aprender, celebrar. Enquanto isso a gente aprende e celebra também.
Foto: Manoela Beneti
Meu texto para a abertura da exposição:
"COSTURA
CONCRETA
Hoje é mais um dia de celebrar a
vida, a criatividade e a arte aqui neste espaço, parte integrante de meu
escritório de arquitetura. É com muita alegria que apresento este novo
exercício de curadoria, desta vez articulando as disciplinas de moda e arquitetura.
Esta exposição, intitulada "Costura Concreta", traz a elogiada
coleção de roupas de mesmo nome, livremente inspirada na obra do arquiteto Le
Corbusier e assinada pelo jovem estilista Leopoldo Gurgel.
As roupas são resultado do trabalho
de conclusão de curso de Design de Moda, realizado ao final de 2011, e a
despeito de ser assinado por um estudante demonstra uma consistência louvável.
Leopoldo estudou com paixão a obra do mestre franco-suíço e desvendou inúmeros
livros em busca da personalidade, do caráter, do espírito criador daquele que
foi um dos mais influentes nomes não só da arquitetura, mas da cultura Moderna.
A transposição da estética
corbusiana para as roupas foi feita com elegância digna do arquiteto. E ao se
apropriar desta estética, a trouxe renovada, mantendo sempre o domínio das
técnicas de costura e moda para subordiná-la às suas criações. Com uma
cartela de cores quase completamente cinza, além de patchworks, recortes,
relevos em tricô, modelagens precisas e ajustadas, atingiu uma coleção de
roupas usáveis e desejáveis (objetivo de
um curso superior, como o de moda, que prepara pessoas para o mercado), e ao
mesmo tempo conceitual.
Quanto ao mestre Le Corbusier,
nascido Charles-Edouard Jeannearet-Gris, em 1887, na cidade suíça de La
Chaux-de-Fonds, sonhou um mundo e passou a vida transformando tudo à sua volta.
E talvez seja este um dos motivos pelo qual será sempre referência, de uma
maneira ou de outra, para todos nós. A complexidade e densidade de sua obra, além
da atualidade de muitas de suas ideias, permitem e fazem com que seja sempre
revisitado. E quem tiver a sorte de encontrá-lo sairá transformado do outro
lado.
Para esta exposição, proponho uma promenade architecturale (um dos grandes
conceitos deixados por Le Corbusier_o passeio arquitetônico) desde aqui até
nosso terraço-jardim! Esta promenade passeia pelos livros_ apenas
muitos deles podem nos ajudar a compreender melhor um legado tão rico; pontua
algumas maravilhas pensadas pelo arquiteto, como “Os 5 pontos para uma nova arquitetura”,
O Modulor, aquele boneco-medida
fantástico, o Espirit Noveau captado
no clima do pós I Guerra; remete à tecnologia que permitiu colocar de pé sua
arquitetura_ através da representação pelos corpos de prova em concreto
expostos; por fim, amarro essa costura com um dos elementos mais simbólicos
desta exposição: uma gravura dos anos 60 assinada pelo gênio. Esta obra foi
gentil e generosamente cedida para esta exposição, pelo arquiteto Leandro
Araújo. Ali, letra viva de Le Corbusier, para além de sua obra, nos faz
compreender que ele realmente está entre nós.
Seja bem vindo!
Manoela Beneti,
01 de agosto de 2012"
Fotos: Flávio de Castro
"TRENCH COAT
- referência, de acordo com Leopoldo, foi a Capela de Notre-Dame-du-Haut. Ronchamp, França, 1951-55
Le Corbusier harmonizava as retas e curvas com maestria, em
volumetrias sofisticadas, como na fabulosa Capela de Notre-Dame-du-Haut ( também conhecida como Catedral de Ronchamp), uma de
suas obras-primas.
O Trench coat é uma peça-chave na coleção. Podemos
identificar nele algumas derivações de elementos fundamentais na obra de Le
Corbusier: a presença do concreto, aqui representada tanto pela cor cinza como pelos detalhes em
tricô, que remetem à textura; a harmonização das retas e da curva à frente da
peça, como na capela de Notre-Dame-du-Haut; a origem da peça na História, já
que o trench coat surgiu na I Guerra e era a roupa militar popular, feita em
nylon para ser impermeável e utilizadas nas trincheiras. O clima do pós-guerra foi sentido por Le Corbusier em profundidade, e nele captou a presença de “Um
novo espírito” de tempo ( L’espirit Nouveau). Baseado em suas percepções do novo momento e da nova cultura emergente, fundamentada nas máquinas e na racionalidade, postulou conceitos
e parâmetros para uma nova produção arquitetônica. Ela deveria atender novos modos de vida, tanto no trabalho, quanto nas cidades e na vida privada das pessoas. Le Corbusier, ao formular essas
ideias e colocá-las em prática, influenciou de forma irrevogável a história da Arquitetura
Moderna."(MB)
- Pontuação histórica de Leopoldo no período da I Guerra Mundial Com a enorme demanda de nylon para a fabricação
de para quedas durante a guerra, as meias calças tornaram-se artigo de luxo.
Para não perder a elegância, as mulheres
pintavam em suas pernas o risco vertical simulando a costura das meias.
A costura nesta calça remete à isto.
O Pós Guerra marcou para Le Corbusier sua entrada no cenário das
vanguardas artísticas , tanto como pensador atuante, como um dos maiores
líderes da renovação da arquitetura européia. Naquele momento, captara a
inauguração de um novo tempo, uma ruptura com o passado causada pela guerra.
Baseado nessa percepção proclamou ‘ Il
exist um spirit noveau’. Cria e passa a editar a revista L’espirit noveau. Projeto seu, do pintor francês
Ozenfant e do poeta belga Paul Berneé,
de idéias puristas, se constituiu um dos principais meios de difusão dos
debates das vanguardas artísticas européias. Para a nova produção arquitônica, propõe uma renovação através de um
racionalismo que 'ordena sistemas e traça grandes planos, que deveriam eliminar
qualquer problema.' ( Giulio Carlo Argan no livro Walter Gropius e a Bauhaus)" (MB)
Vestido Mullet _referência aos pilares de seção circular
Vestido Decote Costas_ Leopoldo teve como referência as aberturas/janelas de LC
" VESTIDO MULLET E VESTIDO DECOTE COSTAS
Nesses dois vestidos podemos derivar 4 dos “5 pontos para uma nova
arquitetura”, propostos por Le Corbusier no final de 1926.
O Vestido Mullet, ao sofrer o recorte lateral, e por ser longo,
assemelha-se aos pilares de seções circulares, tantas vezes vistos na obra de
Le Corbusier. Esses mesmos apoios longilíneos elevavam a construção em Pilotis, liberando-a do solo,
permitindo a continuidade do mesmo. A
estrutura sobre esses pontos de apoio circulares permanece à vista e permite
que aconteça a chamada Planta livre
no interior das construções, ou seja, havia uma independência entre a estrutura
e as vedações. Tal princípio permitia uma máxima flexibilidade na utilização
dos espaços.
Já o vestido cujo decote nas costas remete às grandes aberturas,
pode ser relacionado aos pontos denominados Fachada
livre e Janelas em fita.
Essas aberturas amplas, maximizadas, alongadas, eram consequência direta da
planta livre, uma vez que a estrutura estava recuada para dentro do perímetro das
construções. Dessa forma as janelas não sofriam interrupção pelos pilares,
permitindo uma fruição visual e entrada de luz natural em potência máxima. A
título de curiosidade, para complementar aqui o emblemático conjunto de pontos
proposto por Le Corbusier para uma nova arquitetura, o de número 5 seria o Terraço-jardim:
propunha tornar as coberturas, até
então executadas em forma de telhados inclinados, terraços habitáveis_ espaços
de enorme qualidade espacial e de grande
impacto no bem estar cotidiano das pessoas." (MB)
Capa_ referência a planta do 7° pavto. do edifício residencial Port Molitor, Paris_ 1931-1934
"O CORPO
O Corpo é referência constante na métrica corbusiana. A
força deste conceito se personifica na figura do Modulor, instrumento de medida,
como o definia Le Corbusier. Um modelo de homem de 1,83m de altura, que com o braço
levantado atingia 2,26m, consistia em um sistema, de subdivisões e partes,
baseado na seção áurea, na sequência Fibonacci ( sequência de números naturais,
iniciada por 0 e 1, onde cada termo subsequente corresponde à soma dos dois
precedentes) e nas medidas do corpo
humano. A partir do Modulor, várias medidas presentes em seus projetos eram
determinadas. A descoberta da relação proporcional entre os números citados acima e as medidas do corpo humano-homem médio, causou grande
espanto ao arquiteto, que pôde comprovar a existência de uma harmonia precisa, matemática,
também nas dimensões das partes do corpo, já observada por ele em grandes obras
de arquitetura e arte clássicas, desde a Grécia antiga ao renascimento. Sua
definição de beleza passava, portanto, por essas medidas proporcionadas com
precisão.
Na coleção de Leopoldo, o corpo é também o instrumento de
medida e parâmetro constantes. Parece óbvio, por se tratar de roupa, mas a
justeza de várias peças nos coloca diante de um extremo neste aspecto. As peças
maiores, por sua vez, possuem como parâmetro definidor as plantas de alguns
projetos do arquiteto." (MB)
" O CONCRETO
O concreto, não apenas como material, mas como tecnologia
construtiva, permitiu a fundamentação das bases da nova arquitetura proposta
por Le Corbusier. O domínio da técnica do concreto armado ocorreu durante sua
temporada de trabalho no escritório de Auguste Perret, em Paris, para onde se
mudou em 1916, ainda bem jovem, e está no cerne da criação dos “5 pontos para
uma nova arquitetura”. Cada um dos pontos dependia da maneira como a estrutura
se dava em relação à construção.
Na coleção de Leopoldo Gurgel, as cores de todas as roupas
se desenvolvem dentro da escala de tons cinzas, tendo por referência o
concreto, tão marcante na obra de Le Corbusier. Os crochês e patchworks fazem
menção clara às texturas do material, com suas ranhuras devido às fôrmas e à
brita em sua composição." (MB)
- Pontua na coleção a idéia de funcionalidade, de acordo com Leopoldo.
Para Le Corbusier, a funcionalidade era questão chave. Em sua obra, esta qualidade se
concretizava de maneira extremamente sofisticada, uma vez que havia por parte dele uma
constante preocupação em atingir o máximo esteticamente. Ou seja, as restrições
e demandas do programa ( conjunto de áreas a serem projetadas, de finalidades
diferentes) solicitado em determinada arquitetura, se personificavam de maneira objetiva,
racional e eficiente, mas ainda assim atingiam status de objeto de arte. Le Corbu buscava isso através da racionalidade. Em um
dos mais importantes tratados de arquitetura moderna, seu livro “Vers une
architecture”, de 1923, ele diz:
“Vocês usam pedra, madeira e concreto, e com esses materiais
constroem casas e palácios; isso é construção. A inventividade está em ação. De
repente, porém, vocês tocam meu coração, fazem-me bem; fico feliz e digo: “Isso
é bonito”. Isso é Arquitetura. Existe a participação da arte." " (MB)
"MANTÔ EM TRICÔ BRANCO -referência a planta do 7° pavto. do edifício residencial Port Molitor, Paris_ 1931-1934
Essa peça é o início da promenade , ou passeio, proposto
pela curadoria. Marco zero da coleção de Leopoldo, criada um ano antes da
coleção propriamente dita, após um primeiro contato do estilista com a obra do
arquiteto. No Croqui de Leopoldo, feito
naquela ocasião, percebemos alguns dos conceitos de Le Corbusier em seu
antológico “5 pontos para uma nova arquitetura”. As pernas longas e tricô suspensa, quase uma nuvem, remetem ao conceito de arquitetura elevada do solo, sobre Pilotis. Os cabelos da modelo, por sua vez, remetem à vegetação do Terraço-jardim, também
entre as pontuações do arquiteto. Eram as coberturas habitáveis, jardins suspensos em detrimento dos
telhados inclinados amplamente utilizados na época.
A Villa Savoye, residência projetada e construída em Poissy, no
entorno de Paris entre 1928-29, é considerada a síntese dos “5 pontos para uma
nova arquitetura” na obra de Le Corbuiser. São os outros, além de Pilotis e
Terraço-jardim, a Planta livre, a Fachada livre e a Janela
em fita. Esse postulado foi formalizado em 1926 pelo arquiteto e serviu de
base para ruptura com a arquitetura praticada antes da I Guerra, considerada por ele ultrapassada, com um conjunto de práticas a serem superadas.
O conceito de Promenade Architecturale, ou passeio arquitetônico,
é indissociável da arquitetura do mestre franco-suíço, como observa Carlos Alberto Maciel em seu
texto de 2002, “Villa Savoye: arquitetura e manifesto” : “A valorização do percurso como uma
estratégia conceitual, a ordenar tanto interna como externamente a Villa Savoye,
é evidenciada desde a chegada, pontuando a experiência de fruição do objeto
arquitetônico com surpresas constantes, seja a inflexão no percurso após o
pequeno bosque, desvelando o volume da residência pousado sobre o tapete verde,
seja na inversão da posição da entrada principal, contrária à chegada. O
conceito se realiza através de um conjunto de propriedades materiais,
trabalhado conscientemente com o objetivo de realizar a idéia de variação do
percurso, obrigando a experiência do objeto arquitetônico em diferentes
posições e pontos de vista e variando constantemente a relação entre o objeto e
o fruidor. O próprio Le Corbusier revela a origem do conceito da Promenade:
"A arquitetura árabe nos dá um ensinamento precioso. Ela é
apreciada no percurso a pé; é caminhando, se deslocando que se vê desenvolverem
as ordenações da arquitetura. Trata-se de um princípio contrário à arquitetura
barroca que é concebida sobre o papel, ao redor de um ponto teórico fixo. Eu
prefiro o ensinamento da arquitetura árabe.“ "
Vídeo que fez parte do material de formatura do moço e esteve projetado no teto da exposição
Por fim, os livros que estiveram estrategicamente espalhados pela exposição, para serem lidos, folheados, ajudaram a ilustrar e explicar mais. São fundamentais para qualquer passeio pela obra de Le Corbusier! Segue a lista pra quem quiser se aprofundar:
- "A História Crítica da Arquitetura Moderna" - Keneth Frampton - Edit. Martins Fontes - 2000 - "A Viagem do Oriente"- Le Corbusier - CosacNaify - 2007 - "Depois do Cubismo" - Ozenfant e Jeanneret [Le Corbusier] - Edit. CosacNaify - 2005- "Le Corbusier: The Poetics of Machine and Metaphor" - Alexander Tzonis - Edit. Thames & Hudson - 2001 - "A Beleza sob Suspeita" - Gilberto Paim - Edit. Jorge Zahar - 2000 - "Le Corbusier" - Jean-Louis Cohen - Taschen - 2007 - "Le Corbusier: Uma Análise da Forma" - Geoffrey H. Baker - Edit. Martins Fontes – 1998
-"Le Corbusier" - Elizabeth Darling - Ed. CosacNaify - 2001
- "Le Corbusier, La Villa savoye" - Jacques Sbriglio - Edit. Birkhäuser / Fondation Le Corbusier- 2008 -"Le Corbusier's Villa Savoye" - Guillemet Morel-Journel - Edit. Itineraires - 2008
- "Mãos de Le Corbusier" - André Wogenscky - Edit. Martins Fontes - 2007
- "Walter Gropius e a Bauhaus" - Giulio Carlo Argan - Edit José Olympio - 2005
- "Unitè d'Habitation Marseilles, Le Corbusier" - David Jenkins - Phaidon - 1993
Ficha técnica: Roupas_coleção "Costura Concreta": Leopoldo Gurgel Croquis: Leopoldo Gurgel Curadoria : Manoela Beneti Cenografia, expografia e textos: Manoela Beneti Fotos da noite de abertura: Flávio de Castro Fotos de dia: Pedro Estrada Vídeo convite: Paulo Peixoto . Brutal Produções Vídeo projetado no teto: Binóculo Bar da noite de abertura: Rodrigo Mattar . Bartrend Trilha sonora/ identidade musical: Rodrigo Bittencourt . Rádio Noir Agradecimentos: Ao arquiteto Leandro Araújo, pela gentileza e generosidade ao ceder para a exposição, sua litogravura assinada por Le Corbusier, dos anos 60. Outros muito importantes:
Consultare Engenharia (corpos de prova em concreto) Iola Gurgel (projetor) Jackson Cardoso (montagem) Rafaela Ianni (auxílio precioso nos toques finais no dia da abertura) Senai Modatec (manequins)